RUA 7 DE SETEMBRO, SÃO ROBERTO-MA

19/03/2017

Dilma no País da fantasia


A ex-presidente atingiu as raias da insensatez. Como se vivesse num mundo paralelo, a petista ousa dizer que o PT não roubou, e que – pasme! – seu governo não contribuiu para a ruína econômica, que ela própria legou ao País. O bom, até para a democracia, é que poucos (muito poucos) são capazes de cair nessa ladainha

Dilma no País da fantasia
A ex-presidente Dilma Rousseff não se emenda. A petista insiste numa cantilena antiga para não responder aos atos que cometeu no passado, como se pouco ou quase nada fosse responsável pela ruína econômica, ética e política que ela própria legou ao País. Uma pilhéria. Depois da batida retórica de que o processo legítimo do impeachment sacramentado no Senado foi um golpe, Dilma usa novamente o discurso da vitimização para tentar escapar do alcance dos tentáculos da lei. Pior, suas idéias não correspondem aos fatos. Fala pelos cotovelos em palestras além-mar como se vivesse num mundo paralelo, o da fantasia, como Alice. Em recentes intervenções, a petista, integrante da lista de Janot e cada vez mais encalacrada no processo que analisa a cassação da chapa que venceu a eleição presidencial em 2014, tentou imputar às forças e corporações que combatem a corrupção no País – em especial à força-tarefa da Lava Jato – a pecha de que são meros instrumentos de luta política e ideológica contra inimigos e opositores. Ao perceber que a mácula não colou nas equipes que investigam os vultosos desvios de dinheiro impostos por agentes do PT à Petrobras, pois havia por trás da declaração dela a tentativa de salvar a própria pele, Dilma agora quer reunir num mesmo balaio todos os políticos que receberam apoio financeiro, inclusive aqueles que declaram as doações ao Tribunal Superior Eleitoral. A estratégia dela não é mais que um disparate, ao querer defender a ideia de que a corrupção é sistêmica, ou seja, está em todos os poderes, e que todos têm o mesmo grau de responsabilidade.
AMNÉSIA DE DILMAOs devaneios não param. Não param, não. Em recente viagem por Genebra, na Suíça, Dilma, que, pasme, arriscou dialogar em francês num programa de televisão, – não bastasse tanto maltratar o idioma pátrio – , tornou a se defender das acusações de Marcelo Odebrecht de que não só sabia do pagamento de propina ao Partido dos Trabalhadores bem como também consentiu a prática criminosa. Porém, dessa vez, com menos ênfase na sua defesa e usando um novo expediente: de dividir o delito que praticou o PT ao longo dos 13 anos que ficou no poder com todos os agentes da política brasileira. “O sistema político brasileiro vai ser investigado, mas nenhum partido apenas pode ser chamado de corrupto. Duvido que vão continuar dizendo que o PT é corrupto. Porque não sobra ninguém nos outros”, vociferou ela, como se tivesse esquecido que foi o PT quem sistematizou o maior esquema de corrupção da história do País.
Dilma é suspeita 
de comandar a captação 
ilegal de R$ 50 milhões
da Odebrecht para sua 
campanha, coordenada 
pelo publicitário João 
Santana (abaixo)
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Felizmente, não é assim que pensam as autoridades. Responsável por colocar em julgamento a ação proposta pelo PSDB no TSE, com foco na arrecadação de verba para a campanha de Dilma em 2014 – essa sim, uma prática com fortes indícios de lavagem de dinheiro – o presidente daquela corte eleitoral, ministro Gilmar Mendes, chegou a afirmar para a imprensa que as doações por meio de caixa dois podem não configurar corrupção. Definitivamente, não foi o caso da campanha petista. Três gráficas que não fizeram por merecer a fortuna de R$ 52 milhões pagas pelo PT não conseguiram comprovar até hoje que tipo de serviço prestaram à campanha de Dilma Rousseff à reeleição em 2014. Tudo indica que a VTPB, Focal e Red Seg são empresas de fachada e serviram de ponte para o pagamento de propinas do Petrolão por meio do caixa um, aquele declarado ao TSE, como doação legal.
ELA SABIA DE TUDONão é somente sobre esse fato que se debruçam os investigadores. Em sua delação premiada, Marcelo Odebrecht contou como participou pessoalmente da negociação de um pagamento de um caminhão de dinheiro à campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010: um total de R$ 50 milhões em propinas da Braskem em troca de benefícios fiscais para a petroquímica. Os valores sairiam do caixa dois da Braskem no setor de operações estruturadas, nome pomposo para o departamento de propinas da Odebrecht. Marcelo relatou que tratou de propina com Dilma Rousseff em um encontro que teve com ela no México. Segundo o empresário, ele avisou que os pagamentos feitos ao marqueteiro João Santana estariam “contaminados” porque partiram de contas que a Odebrecht usava para pagar propina. Ou seja: Dilma sabia do que estava acontecendo, ao contrário do que sempre negou com veemência. O episódio narrado pelo príncipe-herdeiro da maior construtora do País é a demonstração cabal do envolvimento de Dilma Rousseff, não por acaso uma das integrantes da Lista de Janot encaminhada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot ao STF e à primeira instância, situação em que ela se enquadra por não ter privilégio de foro.
QUEM BANCA?
Em seu paraíso particular, no qual a acompanha somente uns gatos pingados de uma turma de bajuladores, Dilma é incapaz de realizar qualquer tipo de autocrítica. À plateia estrangeira, que inacreditavelmente ainda a leva a sério, Dilma Rousseff ainda mencionou duas supostas “tramas” para, pasme, afastar Lula de uma possível nova candidatura à Presidência da República: a adoção do parlamentarismo e o adiamento das eleições de 2018. Não tem pé nem cabeça. Nenhuma das duas propostas se encontram na agenda do dia no Congresso ou fora dele. Por falar nisso, convém perguntar: qual é a agenda da ex-presidente destituída? Com que objetivo ela é cumprida? E, principalmente, quem a banca?

Gilmar Mendes derrapou feio em fala sobre caixa dois, diz leitor



Pedro Ladeira - 19.dez.2016/Folhapress
O ministro do STF (Superior Tribunal Federal), Gilmar Mendes, que não foi visto no funeral
O ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mende
GILMAR MENDES
Respeito o excelentíssimo ministro Gilmar Mendes, mas, na minha opinião, desta vez ele derrapou feio na curva. Para entendermos as doações de milhões das empresas não precisamos ser gênios. Elas querem, obviamente, algo em troca. Se for via caixa dois, então, o caldo entorna. Quem garante que a doação dessa dinheirama toda não foi feita sob desvios de corrupção e sonegação de impostos?
ADAUTO LEVI CARDOSO (Sorocaba, SP)
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A tendência de "desmistificação" do chamado caixa dois nas campanhas eleitorais, como certas lideranças estão ensaiando entre nós, é emblemática. Com isso, o desprestígio dos políticos atinge índices indescritíveis, como nunca antes tivemos em nossa história. Urge, assim, que as cabeças pensantes mais responsáveis da nação se unam num movimento de apoio às operações judiciais em andamento, visando à higienização ética das atividades políticas, rumo à construção da grande nação que temos condições de ser.
JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA, advogado (Rio de Janeiro, RJ)
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DISCURSOS DE TEMER
Subliminarmente, segundo alguns representantes da imprensa, o discurso de Michel Temer em homenagem ao Dia da Mulher deveria ter sido dirigido somente à dita mulher empoderada (palavrinha antipática). Queriam a exceção, não a regra. Mulheres simples e valentes, com empregos humildes, como empregadas domésticas, operárias, costureiras, agricultoras, garis, etc. vão rotineiramente ao supermercado e, pela flutuação dos preços das mercadorias, participam da economia. Talvez, essas sejam as que mais merecessem ser homenageadas.
ENI MARIA MARTIN DE CARVALHO (Botucatu, SP)
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Não bastassem as gafes cometidas no Dia da Mulher, Michel Temer dispara que a cerveja é um "fenômeno de agregação e de congregação". O chefe de governo avaliza o consumo de bebida alcoólica como uma festa, ignorando os fatos diários que a apontam como causa de acidentes fatais, além de forte motivo de desagregação familiar e de "porta aberta" a todas as outras drogas lícitas e ilícitas. Não caberia um plano nacional de saúde pública para essa questão?
JONAS NILSON DA MATTA (São Paulo, SP)
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QUESTÃO INDÍGENA
Muito preocupante constatar que temos um ministro da Justiça alienado e desinformado sobre a questão da demarcação das terras indígenas, e, mais grave, claramente alinhado com o outro lado do conflito, que são os ruralistas e o agronegócio. Isenção parece-me quesito inegociável na conduta de um ministro da Justiça. O ministério de notáveis prometido pelo governo de Michel Temer é um engodo.
MÁRCIA MEIRELES (São Paulo, SP)
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PAPA FRANCISCO
O papa diz estar aberto a permitir que homens casados virem padres. E será que ele está aberto para que mulheres, freiras (solteiras), rezem missas? E deixar que mulheres façam o mesmo que os padres? A igreja católica é muito machista. Faltam padres, então vão aceitar homens casados. Por que não aceitam as freiras para fazer esse trabalho? As mulheres não seriam capazes de celebrar missas?
CLÁUDIA CIANETTI (São Paulo, SP)
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COLUNISTAS
Excelente texto de Ruy Castro. Mas com o que nossos congressistas estão preocupados neste momento? Não temos política suprapartidária para fazer as reformas necessárias e tirar nosso país da maior recessão da história. Temos, sim, política suprapartidária para anistiar o caixa dois. Quanto mais a Lava Jato avança na casta política, mais nossos congressistas se assemelham a zumbis.
HEVERTON-CRISTHIÉ SOUZA COSTA LEMOS (Sardoá, MG)
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Excelente o artigo do professor Walber de Moura Agra. De uma lucidez rara nestes dias.
MARIA VIRGINIA MESQUITA (São Paulo, SP)
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Não seria acintoso ou até algo próximo a um apadrinhamento manter um articulista do naipe de Aécio Neves num jornal de grande prestígio como a Folha? Seus artigos são o que podemos chamar de "legislar em causa própria". Como se não bastasse, trata-se de uma pessoa sobre a qual estão sobrando denúncias de corrupção e malversação da coisa pública. Quero crer que esses desabonos já seriam suficientes para não sermos importunados todas as segundas-feiras pelo articulista de uma nota só.
LUIZ HERCULANO DA SILVA (Marília, SP)
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RACISMO
Segregar alguém simplesmente por ter cor diferente da sua é completamente irracional, injustificável e sem nenhuma base lógica. O imbecil que gritou "negrinha aqui não" para uma aluna na FGV, por estudar onde estuda, deveria ter capacidade suficiente para entender quão ridícula e anacrônica soa a sua afirmação.
ANTONIO PEDRO DA SILVA NETO (São Paulo, SP)

LULA DIZ QUE É CANDIDATO EM 2018

"Eles que peçam a Deus para eu não ser candidato", diz Lula no Nordeste
Lula e Dilma vão a inauguração da transposição do São Francisco

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Em um ato no sertão da Paraíba, empregando um tom emotivo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se lançou na arena eleitoral de 2018 e denunciou publicamente uma articulação para impedir que ele volte a se candidatar ao Palácio do Planalto.
Depois de visitar pela primeira vez um trecho concluído das obras de transposição do rio São Francisco, o ex-presidente criticou o governo Michel Temer e disse que está disposto a "brigar nas ruas" contra seus opositores, em referência à disputa eleitoral.
"Eu nem sei se estarei vivo para ser candidato em 2018, mas sei que eles querem evitar que eu seja candidato. Eles que peçam a Deus para eu não ser candidato. Porque, se eu for, é para ganhar a eleição nesse país", disse Lula, diante de milhares de pessoas que lotaram a praça central de Monteiro, município de 33 mil habitantes no sertão da Paraíba, a 305 quilômetros da capital, João Pessoa.
Lula subiu ao palanque ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, de governadores, deputados e senadores aliados.
Em mais de uma ocasião, o ex-presidente fez menção indireta às suspeitas levantadas contra ele no âmbito de operações como a Lava Jato, afirmando indiretamente que esses processos têm o objetivo de minar política e juridicamente sua candidatura.
"Eu estou à espera de um empresário me denunciar e dizer se tem R$ 1 na minha conta. Se tiver, eu não preciso nem me defender", disse, no palanque.
"Vocês sabem o que estão tentando fazer com a esquerda nesse país, o que fizeram com a Dilma e estão tentando fazer comigo. Eu quero dizer que, se eles quiserem brigar comigo, eles vão brigar comigo nas ruas desse país, para que o povo possa ser o senhor da razão."
Lula é réu em cinco ações penais –três em decorrência da Lava Jato, uma pela Operação Zelotes e uma pela Operação Janus– e apareceu nos pedidos de abertura de inquérito da última lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em decorrência da delação de executivos da Odebrecht.
Se condenado em segunda instância antes da próxima eleição, o petista pode ser barrado pela Lei da Ficha Limpa e impedido de disputar as eleições. A demonstração de apoio popular é entendida pelos petistas como anteparo a esse risco.
Com um discurso inflamado, incomum na maior parte de seu governo, a ex-presidente Dilma Rousseff defendeu seu padrinho político e o lançou abertamente à Presidência em 2018.
"Há um segundo golpe, que é impedir que os candidatos populares sejam colocados à disposição do povo. O Lula é um desses candidatos. Vamos deixar o Lula se encontrar com a democracia. É a única maneira de lavar a alma do povo brasileiro", declarou a petista. "No tapetão, não!", bradou.
Dilma também atacou o governo Temer, sem citar o nome do atual presidente, e pediu que a população use as eleições de 2018 para dar uma resposta contra as ações do atual governo.
"Todos nós temos um encontro marcado com a democracia em outubro de 2018. Eles sabem que, se deixarem conversar com o povo, nós ganharemos essa eleição", disse.
O senador Humberto Costa (PT-PE) fez o discurso mais explícito de defesa da candidatura de Lula contra o risco da Lava Jato.
"Estamos aqui mostrando que o povo quer de volta o maior presidente da história! E, quando o povo quer, não tem Moro, não tem Globo, não tem Judiciário, não tem ninguém, porque isso vai acontecer", disse Costa, em referência ao juiz Sergio Moro, às ações a que Lula responde na Justiça, e à imprensa, alvo de críticas frequentes de petistas.
"Estamos comemorando a chegada da água, mas também está começando a caminhada para colocar no poder novamente o povo e o governo popular."
PÉ NA ÁGUA
Lula e Dilma desembarcaram na manhã deste domingo no aeroporto de Campina Grande, onde foram recebidos por políticos locais, aliados e ex-integrantes de seus governos. De lá, seguiram em comboio por cerca de duas horas e meia por uma rodovia até o pequeno município de Monteiro, onde fizeram uma inauguração simbólica do canal que passa pela região.
Cercados por uma multidão, que cantava principalmente o nome de Lula, os dois ex-presidentes foram até o canal construído nas obras de transposição.
Quando começaram a descer uma pequena trilha até a água, uma multidão que esperava lá dentro os cercou. Lula pisou na água de sapatos e molhou a barra da calça bege. Abaixou-se, tomou um pouco d'água em suas mãos e jogou para o alto. Sorrindo, ele e Dilma se abraçaram.
GOVERNO TEMER
Eduardo Knapp/Folhapress
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O palanque foi usado para atacar a inauguração oficial do trecho leste da obra de transposição do rio São Francisco, pelo presidente Michel Temer, no último dia 10. O ex-presidente Lula adotou um tom emocional e citou a infância no sertão de Pernambuco, em busca de assumir a paternidade do projeto.
"Eu não pensei [nessa obra] apenas de bonzinho. Desde os sete anos eu carrego lata de água na cabeça. Eu sei o que é botar água barrenta no pote e esperar assentar. E a barriguinha era só de esquistossomose, e tinha fezes de vaca, de cavalo, de cabrito e era essa a água que a gente bebia. E eu sabia que o povo do Nordeste tinha que ter direito a uma coisa elementar", disse o ex-presidente.
Dilma disse que Temer mentiu ao inaugurar o canal de Monteiro, neste mês, e argumentou que a obra de transposição "estava praticamente concluída" quando ela deixou o governo.
"Vejam vocês a cara de pau em dizerem que uma obra de transposição do tamanho dessa podia ser feita em seis meses. Esses que deram o golpe baseado numa mentira, numa inverdade, que fizeram um impeachment sem crime de responsabilidade. Até as pedras sabem que eu nunca cometi nenhum crime e que eles deram esse golpe para tirar os direitos que nós demos durante os nossos governos", afirmou Dilma.
Os dois ex-presidentes aproveitaram o evento para atacar especialmente a reforma da Previdência –ponto central da oposição do PT à gestão Temer.
"Esse governo que está aí, e não deveria estar, não tem noção do que significa aposentadoria rural para o povo do Nordeste. Eles querem cortar", disse Lula, que ligou o plano de ajuste fiscal à tentativa de barrar sua candidatura presidencial.
"Se vocês querem me prejudicar, criem vergonha. Não prejudiquem 204 milhões de pessoas."
"O golpe não acabou ainda", afirmou Dilma. "Eles sabem que a democracia sempre beneficiou o povo brasileiro, e que por quatro eleições nós ganhamos porque nunca apresentamos um projeto como esse da aposentadoria, que faz com que o povo brasileiro tenha que começar a trabalhar na melhor das hipóteses aos 16 anos, e, na pior, aos 9 anos. Então esse projeto da aposentadoria é um golpe."
SIMBOLISMO
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A visita às águas transpostas do São Francisco ao solo seco do sertão e o comício diante de milhares de pessoas no interior do Nordeste foram montados para representar a inauguração do movimento de retorno de Lula ao centro da arena política, como preparação para uma provável candidatura à Presidência em 2018.
"Essa é a consagração popular do retorno de Lula em 2018", disse o deputado José Guimarães (PT-CE), líder da minoria na Câmara. "Esse povo vai fazer de tudo por ele. É como na eleição de 1988, onde havia um sentimento de identificação e pertencimento."
Dirigentes e parlamentares petistas convocaram uma multidão e alugaram vans e ônibus para transportar a população local para o evento.
A equipe do ex-presidente fez uma divulgação pesada do evento, enviou equipes para armar palanques e gravou vídeos em tom emocional sobre a obra. Nas cidades da Paraíba, há outdoors que atribuem a transposição exclusivamente a Lula e Dilma.
O objetivo dos petistas é tratar a candidatura de Lula, a partir deste ato, não apenas como uma possibilidade, como um contra-ataque ao impeachment de Dilma ou uma resposta à Lava Jato, mas como um fato político consumado.
Monteiro foi um dos primeiros pontos do sertão nordestino a receber as águas desviadas pelo projeto de transposição. Com o ato de Lula e Dilma neste domingo, os hotéis e pousadas da região ficaram com vagas esgotadas, e muitos moradores passaram a alugar quartos de suas próprias casas para os visitantes.
Milhares de admiradores e curiosos saíram de municípios próximos ao longo dos últimos dias para participar do evento. Mesmo nas cidades vizinhas, o movimento era maior por causa do ato.
Às margens do canal que carrega as águas do São Francisco, ambulantes vendiam bonés, camisetas e copos comemorativos. A maior parte dos itens tratava Lula abertamente como candidato à Presidência da República em 2018.
OBRA
A elaboração de um projeto para levar água às regiões mais áridas do Nordeste chegou a ser discutida no Brasil nos anos do império, no século 19. Estudos para a transposição do São Francisco foram feitos nas gestões Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
As obras só começaram em 2007, no segundo governo Lula. O custo total já chegou a R$ 9,6 bilhões, mais que o dobro das estimativas iniciais.
O presidente Michel Temer esteve no mesmo local no último dia 10 para inaugurar o trecho da obra. Em terreno onde o PT e Lula, em especial, ainda retêm boa parte de sua popularidade, o peemedebista ressaltou os esforços de seu governo para que essa parte do projeto fosse finalizada.

"Não quero a paternidade dessa obra porque ninguém pode tê-la. A paternidade é do povo brasileiro e do povo nordestino. Vocês é que pagaram impostos ao longo do tempo e permitiram que fizéssemos investimentos nessa obra que vai cada vez mais sendo festejada", afirmou. 

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