21/01/2017

morcego começa a se alimentar de sangue humano

Espécie de morcego começa a se alimentar de sangue humano no Brasil, diz pesquisa


Morcego-vampiro-de-pernas-peludasDireito de imagemGERRY CARTER/WIKICOMMONS
Image captionEstudo de cientistas brasileiros revela mudança no hábito alimentar de morcego-vampiro-de-pernas-peludas, até então conhecido por consumir exclusivamente sangue de aves

Uma espécie de morcegos encontrada no Brasil, até então conhecida por consumir exclusivamente sangue de aves, está se alimentando agora de sangue humano.
A revelação está em uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros e publicada em dezembro na revista científica Acta Chiropterologica, a mais importante publicação do mundo voltada à pesquisa de morcegos.
O estudo analisou 70 amostras de fezes de uma colônia da espécie Diphylla ecaudata, popularmente conhecida como morcego-vampiro-de-pernas-peludas.
Os cientistas conseguiram extrair o DNA de 15 delas - e em três descobriram vestígios de sangue humano, explica Enrico Bernard, professor do Departamento de Zoologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e responsável pela pesquisa.
O estudo foi conduzido no Parque Nacional do Catimbau, na região de caatinga de Pernambuco, a cerca de 300 km do Recife.
"Das três espécies de morcegos-vampiros que conhecemos, sabíamos que apenas uma delas se alimentava de sangue humano", conta Bernard, em entrevista à BBC Brasil.
"Mas nosso estudo mostrou agora que outra espécie, o morcego-vampiro-de-pernas-peludas, que só se alimentava do sangue de aves, também passou a consumir sangue humano", acrescenta o especialista.
Bernard explica que, diferentemente do sangue de aves, rico em gordura, o dos mamíferos é mais espesso e rico em proteína.
"Sabíamos que essa espécie (morcego-vampiro-de-pernas-peludas) tinha uma adaptação fisiológica para digerir apenas o sangue de aves. Mas isso parece estar mudando, já que ela passou a se alimentar de sangue humano", afirma.

Morcego-vampiro-de-pernas-peludasDireito de imagemENRICO BERNARD
Image captionPesquisa analisou amostras de fezes de colônia de morcegos na caatinga de Pernambuco

Causas

Na avaliação de Bernard, considerando que o morcego-vampiro-de-pernas-peludas tem fisiologicamente menos tolerância ao sangue de mamíferos, os novos hábitos alimentares da espécie "reforçam um cenário de escassez de presas".
"Sendo assim, ou o comportamento alimentar desse bicho é muito mais variável do que imaginávamos até hoje, ou há uma restrição significativa de suas presas nativas", diz o especialista.
Bernard afirma que os resultados do estudo parecem validar a segunda hipótese.
"Essa porção da caatinga vem sendo bastante alterada pela presença humana. As presas nativas desse tipo de morcego - aves maiores, em sua maioria - estão desaparecendo e seu habitat sendo ocupado por seres humanos e seus animais domésticos", afirma.
"Nosso estudo mostrou, por exemplo, a presença de sangue de galinha em algumas das amostras que coletamos."

Impacto

Além da defaunação (diminuição acelerada e drástica de espécies animais), a mudança dos hábitos alimentares do morcego-vampiro-de-pernas-peludas também pode evidenciar um impacto na saúde pública humana.
"Morcegos transmitem uma série de doenças. Se essa espécie está agora se alimentando de sangue humano, precisaremos lidar com um problema de saúde pública potencial", destaca.
Relatos de morcegos atacando pessoas, especialmente como resultado de transformações ecológicas provocadas pela presença humana, não são inéditos no Brasil.
Em 2005, o Maranhão registrou o maior surto de raiva humana transmitida por morcegos da história do país.
Na ocasião, mais de 20 pessoas morreram vítimas da doença, transmitida por morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue).
Causada por vírus, a raiva humana tem sintomas como febre, fotofobia e dificuldades para se alimentar.

Qual é a dieta mais saudável para se livrar dos quilos extras de fim de ano?

Qual é a dieta mais saudável para se livrar dos quilos extras de fim de ano?


Comidas de NatalDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionTodo mundo comete "excessos" nas comidas de fim de ano

As festas de fim de ano geralmente trazem alguns quilos a mais de presente. Depois de tantos banquetes compartilhados com a família, costuma vir um certo peso na consciência e uma vontade de voltar à rotina normal de alimentação.
Muita gente já começa o ano fazendo dietas extremas para tentar eliminar os quilos extras que vieram com Natal e Ano Novo. Os tais processos de desintoxicação geralmente significam ingerir apenas ervas, suplementos alimentares, e produtos que se classificam como "naturais" - além de muito, muito líquido.
Mas essa combinação pode ter efeitos nocivos para o organismo.
Um caso apresentado na publicação médica "British Medical Journal" há pouco dias alerta para as consequências que se pode ter com a ingestão exagerada de ervas e líquidos.
"O conceito de consumir água e líquidos em excesso como uma forma de limpar e purificar o corpo é muito popular", afirma a revista.
"A desintoxicação do Ano Novo usando produtos naturais também. Mas seu consumo também pode trazer inevitavelmente efeitos secundários", adverte.
Os médicos contam que, depois de apresentar um quadro de comportamento estranho, confusão, convulsões e bruximo, uma mulher de 47 anos foi internada na UTI em um hospital na Inglaterra.
Nos dias anteriores, ela havia consumido água e diversos tipos de chá, assim como ervas, além de vitaminas e probióticos.
A paciente recebeu um diagnóstico de hiponatremia, uma condição que pode ser perigosa e que tem como característica a diminuição dos níveis de sódio no sangue - ele é importante porque ajuda a controlar a quantidade de água nas células.

O mito da desintoxicação

No que diz respeito à ideia de desintoxicação, a Associação Dietética Britânica considera que o conceito não faz sentido.
"Não há bebidas, nem comprimidos que fazem magia. Nós temos vários órgãos que se encarregam de desintoxicar o corpo continuamente: a pele, os rins, o fígado e os intestinos", disse um porta-voz da associação.

Mulher bebe água após exercício físicoDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionConsumo excessivo de líquidos pode gerar prejuízos à saúde

Laura Wyness, nutricionista e pesquisadora do Centro de Desenvolvimento de Inovação Alimentícia na Escócia, disse à BBC que concorda com esse ponto.
"A desintoxicação é um mito publicitário, não um fato nutricional. Ela requer jejum e consumo excessivo de líquidos, o que pode reflectir numa perda de peso na balança, mas o que se elimina em muitos casos é apenas água, músculo e carboidratos que o corpo arameza, e não gordura", afirmou.
"Quando a desintoxicação 'acaba', a pessoa se sente mais cansada e com menos energia. E o mais provável é que esses quilos que ela perdeu voltem com rapidez."

O que fazer, então?

Há outros caminhos mais saudáveis para se eliminar o peso adquirido no fim de ano. São formas mais eficientes e sem riscos para a saúde.
As recomendações de Wyness são:
  • Seja realista. Você deve criar metas factíveis e que possam ser cumpridas. Por exemplo, perder entre meio e um quilo por semana.
  • Não siga dietas que prometem uma rápida eliminação de peso e que proíbem o consumo de certos grupos alimentícios. Esse tipo de regime não se sustenta e pode causar deficiências nutricionais.
  • Organize-se. Anote o que você come diariamente e isso fará com que você evite o consumo de alimentos que não são saudáveis; além disso, planeje-se para ter sempre por perto alimentos saudáveis para poder consumir quando sentir fome.
  • Vá com calma. Comece a colocar mudanças pequenas em sua dieta, e ficará mais fácil adaptar a rotina. Por exemplo: comece a caminha 20 minutos todos os dias na hora do almoço, aumente o consumo de frutas diariamente, etc. Uma vez que isso passe a ser algo rotineiro para você, será mais fácil adicionar mais mudanças.
  • Evite as distrações quando estiver comendo. Fazer alguma atividade enquanto come pode fazer com que você consuma mais do que precisa. É o clássico exemplo da televisão.
  • Coma devagar, desfrute cada sabor, mastigue bem a comida. Lembre-se de que o cérebro precisa de 15 minutos para receber a mensagem do estômago de que está satisfeito.
  • Procure ajuda. O apoio de um amigo, um familiar ou até um grupo da internet pode fazer grande diferença para que você não desista e não se esqueça do seu objetivo: perder peso comendo de maneira saudável.

Considerações sobre os alimentos

Wynness também recomenda que, quando você estiver preparando o que for comer, preste atenção para que os legumes e vegetais ocupem metade do prato, que um quarto dele seja de proteína (como peixe, ovo ou carne magra) e o outro quarto tenha amigo, como batatas ou macarrão integral.

prato de comidaDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionNutricionista alerta que, quanto mais cores tiver no prato, mais nutritivo ele será

A chave está na variedade: quanto mais cores no prato, mais nutrientes você estará ingerindo.
A nutricionista também indica o aumento do consumo de frutas e vegetais - pelo menos cinco porções por dia.
E alerta que não há solução imediata, nem mágica: o importante é ir implantando as mudanças gradativamente e de maneira consciente.
(Essas informações não devem ser consideradas como alternativa a uma consulta médica. Em qualquer aspecto relacionado à saúde, recomenda-se seguir as indicações de um especialista.)

PLANTAS INTELIGENTES

Plantas podem ver, ouvir, cheirar e até reagir?

GirassóisDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionO que estes girassóis "sabem"?
Na visão de Jack Schultz, plantas são "como animais muito lentos": conseguem ver, ouvir, cheirar e até têm comportamentos.
Professor da Divisão de Ciências Vegetais da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, ele passou quatro décadas investigando as relações entre vegetais e insetos.
Segundo o cientista, as plantas lutam por território, procuram alimentos, evitam predadores e fazem armadilhas para suas presas. Logo, estão vivas no mesmo sentido que os animais - assim como eles, exibem condutas.
"Para ver isso, basta você fazer um filme rápido de uma planta em crescimento - ela vai se comportar como um animal", acrescenta Olivier Hamant, um cientista especializado em vegetais da Universidade de Lion, na França.
Qualquer pessoa que tenha visto documentários sobre a natureza, ao estilo de Life, de David Attenborough, pode verificar que vídeos em time-lapse demonstram claramente o comportamento das plantas.
As plantas registradas nessas imagens em alta velocidade estão se movendo com um objetivo, o que significa que elas devem ter alguma consciência do que está acontecendo em volta.
"Para responder corretamente, as plantas também precisam de dispositivos de detecção sintonizados às condições que variam", explicou Schultz.

Como humanos

ÁrvoreDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionVegetais têm estruturas sensoriais complexas
Mas o que uma planta sente?
Se você acreditar no que afirma Daniel Chamovitz, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, os sentimentos delas não são tão diferentes dos nossos.
Quando decidiu escrever What a Plant Knows ("O que uma Planta Sabe", em tradução livre), livro lançado em 2012 no qual explora a vida delas com base em pesquisas científicas rigorosas e avançadas, o cientista ficou apreensivo.
"Eu estava extremamente preocupado com a reação que (o livro) iria causar", disse.
Tanta cautela tinha motivos. As descrições em seu livro de plantas vendo, cheirando, sentindo e até sabendo o que se passava à sua volta lembra A Vida Secreta das Plantas (de Peter Tompkins e Christopher Bird), um livro publicado em 1973 que fez muito sucesso naquela época, mas tinha pouca coisa em termos de fatos.
Uma das coisas que o livro afirmava, na qual muitos ainda acreditam, é a ideia totalmente desacreditada que as plantas reagem de forma positiva à música clássica.
Mas o estudo da capacidade de percepção das plantas avançou muito desde a década de 1970, e nos últimos anos houve um aumento nas pesquisas sobre o assunto.
A motivação para esse trabalho não foi simplesmente demonstrar que "as plantas também têm sentimentos", mas também tentar saber por que e como uma planta sente seu ambiente.
Lagarta comendo folhaDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionLagartas como essa causam reações ao se aproximar para devorar as folhas das plantas

Audição

Heidi Appel e Rex Cocroft, colegas de Schultz em Missouri, estão tentando descobrir a verdade a respeito da audição das plantas.
"A principal contribuição de nosso trabalho foi fornecer uma razão para as plantas serem afetadas pelo som", disse Appel.
Uma sinfonia de Beethoven não causa muita coisa em uma planta, mas a aproximação de uma lagarta faminta é outra história.
Em suas experiências, Appel e Cocroft descobriram que gravações do barulho que as lagartas fazem ao mastigar fizeram as plantas inundarem suas folhas com defesas químicas para afastar predadores.
"Mostramos que plantas respondiam a um 'som' de relevância ecológica", disse Cocroft.
E a relevância ecológica é a chave. Consuelo de Moraes, do Insituto Federal de Tecnologia da Suíça, em Zurique, e colaboradores demonstraram que além de ouvir insetos se aproximando, algumas plantas também podem sentir o cheiro deles, ou sentir o cheiro de sinais voláteis emitidos por plantas próximas em resposta a eles.
Em 2006 ela demonstrou como uma planta parasita, a Cuscuta europaea, consegue farejar um hospedeiro em potencial. A espécie de videira avança pelo ar e se enrola em volta de seu hospedeiro, extraindo seus nutrientes.
Em termos conceituais, não há muito que difere essas plantas de nós. Elas sentem o cheiro ou ouvem algo e então reagem, assim como os humanos.
Mas existe uma diferença importante, é claro.
"Na verdade não sabemos o quanto os mecanismos de percepção de odores das plantas são parecidos com os dos animais, já que não sabemos muito sobre esses mecanismos nelas", disse Moraes.
De fato: nós temos narizes e orelhas. Mas, e uma planta?
A falta de órgãos sensoriais óbvios torna mais difícil o entendimento dos sentidos delas. Nem sempre este é o caso - os fotorreceptores, que as plantas usam para "ver", por exemplo, são bem estudados -, mas com certeza esta é uma área que precisa de mais pesquisa.
Appel e Cocroft esperam descobrir que parte ou partes da planta respondem a sons.
Os candidatos mais prováveis são as proteínas mecanorreceptoras encontradas em todas as células delas. Estas microdeformações ainda podem reagir ao barulho de insetos.
Tudo indica que, para uma planta, não há necessidade de algo tão incômodo como uma orelha.
'Cuscuta europaea'Direito de imagemTHINKSTOCK
Image captionA planta parasita 'Cuscuta europaea' consegue farejar um hospedeiro em potencial

'Sexto sentido'

Outra habilidade que nós e plantas temos é a propriocepção, o "sexto sentido" que permite que saibamos onde as várias partes de nosso corpo estão no espaço.
Pelo fato desse sentido não ser intrinsecamente ligado a um órgão em animais - depende de um circuito de retorno entre os mecanorreceptores e o cérebro -, a comparação com as plantas é mais clara.
Os detalhes moleculares são um pouco diferentes dos nossos, mas elas também têm mecanorreceptores que detectam mudanças em seu ambiente e respondem de acordo.
"A ideia geral é a mesma", disse Olivier Hamant, que foi coautor de uma pesquisa de avaliação de propriocepção em 2016.
"Até agora sabemos que (a propriocepção) em plantas tem mais a ver com os microtúbulos (componentes estruturais da célula), respondendo ao esticamento e deformação mecânica."
Na verdade, um estudo publicado em 2015 parece mostrar semelhanças que vão ainda mais longe, sugerindo que a proteína actina - componente importante do tecido muscular - tem um papel importante na propricepção das plantas.
"Isso não tem tanta base, mas há algumas provas de que as fibras de actina em tecido estão envolvidas, quase como músculo", explicou Hamant.

Paralelos

Essas descobertas não são únicas. Enquanto as pesquisas no sentido das plantas avançaram, os pesquisadores começaram a descobrir padrões repetidos que dão pistas de paralelos mais profundos com animais.
Em 2014, uma equipe da Universidade de Lausanne, na Suíça, mostrou que, quando uma lagarta ataca uma planta Arabidopsis, ela desencadeia uma onda de atividade elétrica.
A presença de sinais elétricos em plantas não é uma ideia nova - o fisiologista John Burdon-Sanderson propunha ainda em 1874 que eles eram um mecanismo usado pela planta carnívora dioneia (ou vênus-papa-moscas).
Mas o que surpreende mais é o papel de moléculas chamadas receptoras de glutamato - o mais importante neurotransmissor em nosso sistema nervoso central, que tem exatamente o mesmo papel em plantas, exceto por uma diferença crucial: plantas não têm sistema nervoso.
Flor da 'Arabidopsis thaliana'Direito de imagemTHINKSTOCK
Image captionA 'Arabidopsis thaliana' usa sinais elétricos
"A biologia molecular e o genoma nos mostram que plantas e animais são compostos de um número surpreendentemente limitado de 'blocos de construção' moleculares, que são muito parecidos", explicou Fatima Cvrcková, pesquisadora na Universidade Charles, em Praga, na República Tcheca.
Comunicações elétricas evoluíram de duas formas diferentes, cada vez usando uma série de blocos de construção que podem datar de antes da separação entre plantas e animais, há cerca de 1,5 bilhão de anos.
"A evolução levou a um certo número de mecanismos potenciais para comunicação, e você até pode chegar a isso de formas diferentes, mas o fim ainda é o mesmo", contou Chamovitz.

'Inteligência das plantas'

A percepção da existência dessas semelhanças e que as plantas têm uma habilidade muito maior de sentir o mundo do que as aparências sugerem levou a algumas teorias sobre "inteligência das plantas" e até gerou uma nova disciplina.
Sinais elétricos em plantas foram um dos fatores principais do nascimento da "neurobiologia vegetal" (um termo usado apesar da falta de neurônios das plantas) e hoje há pesquisadores estudando áreas não tradicionais no estudo de vegetais como memória, aprendizado e resolução de problemas.
Essa forma de pensar até levou legisladores na Suíça a estabelecer diretrizes para proteger a "dignidade das plantas", seja lá o que isso quer dizer.
E enquanto muitos consideram os termos "inteligência das plantas" ou "neurobiologia vegetal" como metafóricos, outros fazem críticas. Até mesmo Chamovitz.
"Se eu acho que plantas são inteligentes? Acho que plantas são complexas", responde.
Para o pesquisador, complexidade não deve ser confundida com inteligência.

Limites

É útil descrever plantas em termos antropomórficos para facilitar a explicação de ideias. Mas há limites.
O risco é que as plantas acabem sendo vistas como versões inferiores dos animais, o que é errado.
"Nós, pesquisadores das plantas, ficamos felizes em falar sobre as semelhanças e diferenças entre os estilos de vida das plantas e dos animais quando apresentamos os resultados de alguma pesquisa sobre plantas para o público", disse Cvrcková.
Cão farejando plantasDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionPesquisadores querem evitar metáforas baseadas na vida animal para descrever plantas
No entanto, ela acredita que usar essas metáforas para descrever plantas tem um preço.
"Você quer evitar (essas metáforas), a não ser que você esteja interessado em um debate (geralmente inútil) sobre se as cenouras conseguem ou não sentir dor quando são mordidas."

Adaptação

Plantas são extremamente adaptadas para fazer exatamente o que precisam. Elas podem não ter um sistema nervoso, mas superam isso em outras áreas.
Por exemplo: apesar de não ter olhos, plantas como a Arabidopsis têm pelo menos 11 tipos de fotorreceptores.
Nós temos apenas quatro. Isso significa que, de certa forma, a "visão" delas é mais complexa que a nossa.
A verdade é que as plantas têm prioridades diferentes das nossas, e seus sistemas sensoriais refletem isso.
Como Chamovitz afirma em seu livro "luz, para uma planta, é muito mais do que um sinal; luz é comida".
As plantas podem enfrentar os mesmos desafios que os animais, mas suas necessidades sensoriais também são moldadas pelas coisas que as diferenciam.
"O enraizamento das plantas, o fato de elas não se moverem, significa que elas precisam ser muito mais atentas ao ambiente onde vivem do que eu ou você", explicou Chamovitz.
Cavalo comendo cenouraDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionPlantas não são meras fontes de nutrição e biocombustíveis, dizem cientistas
Para entender totalmente como as plantas percebem o mundo, é importante que os cientistas e o público em geral apreciem os vegetais pelo que eles são.
"O risco é, se continuarmos comparando (plantas) com animais, não percebermos o valor das plantas", disse Hamant.
"Gostaria de ver as plantas reconhecidas mais como os seres vivos incríveis, interessantes e exóticos que são e menos como apenas uma fonte de nutrição e biocombustíveis para os humanos", acrescentou Cvrcková.
Esse tipo de atitude pode beneficiar a todos. Genética e eletrofisiologia são apenas alguns exemplos de áreas que começaram com pesquisas em plantas e provaram ser revolucionárias para a biologia como um todo.
Por outro lado, perceber que temos algumas coisas em comum com as plantas pode ser uma oportunidade para aceitar que somos mais parecidos com elas do que gostamos de imaginar, assim como as plantas são mais parecidas com os animais do que nós pensamos.
Para Chamovitz, as semelhanças devem nos alertar para a surpreendente complexidade das plantas e para os fatores em comum que conectam todas as formas de vida na Terra.
"Então poderemos começar a apreciar a união na biologia."

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AOS DIAS 11 DE SETEMBRO DE 2017 A FAMÍLIA SENHOR RAIMUNDO ROCHA CONVOCOU UM GRUPO DE DOADORES DE SANGUE DE SÃO ROBERTO A DOAÇÃO NO HEMOMAR...